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"Liberdade Hackeada" - Ensaio sobre documentário.

  • Foto do escritor: Beatriz Assis
    Beatriz Assis
  • 2 de set. de 2021
  • 2 min de leitura

A internet mudou a forma que enxergamos o mundo a nossa volta, temos acesso a qualquer informação em intervalos de um os dois cliques, pode-se pesquisar a receita de um bolo, uma rota mais segura para casa ou como fazer uma bomba caseira, argumentos que defendem o terraplanismos e teorias conspiratórias. Essa pluralidade de conhecimentos vem mostrando suas consequências de forma mais acentuada a cada dia, estamos presenciando um cenário resultante da informação excessiva. Indivíduos tem suas escolhas influenciadas por um algoritmo baseado em suas pesquisas, que podem ou não ter fontes confiáveis, logo, uma pessoa pode acreditar ser especialista em um assunto após algumas horas de navegação na web, não sabendo que pode estar cercado de mentiras. E qual impacto dessa desinformação disfarçada de virtude? Até onde esses algoritmos podem afetar em nossas escolhas e opinião? Somos realmente livres na internet?

Privacidade Hackeada, documentário elaborado no ano de 2019, retrata bem o quanto nossas pesquisas e opiniões expostas nas redes sociais são vendidas como matérias-primas para fabricação de bancos de dados, usados para um fim que por muitas vezes não concordamos. Nossas reações a publicações e notícias são ofertadas como um produto bruto, que irá gerar uma base para grandes corporações poderem usufruir de nossa vulnerabilidade frente ao smartphone para assim, podar um caminho que seguiremos com a falsa ilusão de liberdade. Por muitas vezes cremos que nossas escolhas dependem 100% de nós, porém, é comprovado dentro do documentário o quão valioso são nossos dados, podendo até mesmo interferir no futuro de uma nação. Tivemos pela primeira vez que encarar o quão perigoso é uma massa de indivíduos munidos de informações manipuladas.

Trazendo ao um contexto nacional, em uma realidade pandêmica, presenciamos os impactos da negação da ciência na pós-verdade. Movimentos como anti-vacina bombardearam a web com fake News, usada como fonte de conhecimento de pessoas cujo possuem a crença cega em teorias conspiratórias. Fazendo paralelo ao efeito Dunning–Kruger, esses indivíduos acreditam ser peritos em um assunto mesmo tendo uma bagagem rasa de conhecimentos, fechando os olhos para a realidade e negando um cenário onde estariam errados, propagando desconhecimento á pessoas, que por sua vez, não checam sua veracidade, gerando mais compartilhamentos atingindo a todos com uma bola de neve de mentiras.

Os impactos dessas desinformações fora da tela do celular, são diretos a saúde pública. Especialistas temem que doenças já erradicadas no país possam voltar a atingir brasileiros adeptos do movimento anti-vacina, como por exemplo: o sarampo, rubéola e poliomielite. Notasse aqui, o peso que pequenos fatos enganosos podem cair sobre uma sociedade e seus cidadãos, de forma a criar um exército movido a achismos.

Assim como a relação entre humanos e a tecnologia evoluiu, o modo que lidamos com a informação também deve evoluir, já que nossa vida na internet é atrelada diretamente ao nosso modo de pensar e agir. A ética por trás desse dilema deve ser reforçada, já que não existe o conceito ético sem liberdade, dentro da internet temos o mundo em nossas mãos e temos de ter consciência dos perigos dentro da mesma.


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