"Preço da liberdade" - Artigo reflexivo
- Beatriz Assis
- 28 de ago. de 2021
- 3 min de leitura
Atualizado: 20 de ago. de 2022
Estamos testemunhando desde o ano de 2020 um período turbulento do século 21. Em especial a região do Afeganistão que se encontra sendo usada como palco de guerras desde a década passada. Porém, o último dia 15 de agosto a organização talibã assumiu o controle do palácio presidencial em Cabul, capital afegã, renascendo tempos de ditadura cultural e religiosa vistas pela região por último em 2001.
‘Vamos matar quem não abandonar a cultura ocidental’ frase falada por combatentes do talibã á BBC desespera moradores do local, que expressam seu desejo por fuga em muitas ações testemunhadas por câmeras. Dia 16, foi registrada a morte de um cidadão que após pendurar-se no avião em uma tentativa de sair do país caí do veículo em movimento. Dia 19, Mães arremessam seus filhos em direção a soldados americanos, em última tentativa desesperada salvar sua prole do horror eminente.
Após todas essas demonstrações instintivas humanas a fim de salvar-se, o questionamento que paira é: qual o preço da liberdade? Até onde um humano pode chegar para ser livre em suas escolhas? Que medo é esse que faz o ser humano jogar-se em um avião em movimento? Que instinto é esse cujo faz mães abrirem mãos de seus próprios filhos? Será que é mais dolorido negar sua cultura, rotina, costumes do que a própria morte? Esse cenário tangencia séculos atrás onde em navios negreiros, escravos preferiam o suicídio a largar mão de sua própria dignidade e história.
Apedrejamentos, mutilação de membros entre outros castigos são executados aos indivíduos que não se adaptarem a nova realidade afegã, realidade essa que não é novidade aos que presenciaram suas ações em meados de 1996.
Um cenário avassalador especialmente para as mulheres, que tiveram seus direitos conquistados em passos de formiga por vinte anos, e viram duas décadas de luta serem arrasadas em questão de dias. Agora a liberdade das moças é reduzida a permissão de um homem, não podem estudar e são obrigadas a usar burcas, regras seguidas à risca pelos extremistas religiosos, os quais tem suas próprias diretrizes éticas e morais acreditando que seus meios são os caminhos corretos para sociedade.
Essa invasão e privação de liberdade é algo que abala o país tanto internamente quanto externamente, já que, as informações serão repassadas controladamente, fato já sabido da imprensa, mesmo com a tentativa da organização de iludir a comunidade internacional propagando a ideia de que repórteres poderão trabalhar livremente. Segundo a Freedom House, autoridades do alto escalão da organização "frequentemente questionam a validade de histórias críticas ao governo e tentam desacreditar jornalistas’’. Ou seja, a população além de ser privada de educação e livre arbítrio, serão isoladas também de informações e notícias, seguindo modelos remodelados e distorcidos da realidade em que vivem, sem parâmetro do mundo exterior.
Por mais emergente que a situação seja, grandes potências mundiais não interferiram no cenário, ainda com a infração de direitos humanos sendo posta em jogo. A retirada das tropas dos EUA da região já deixava um ponto implícito sobre a volta do talibã, porém a velocidade com que essa retomada aconteceu surpreendeu especialistas, tendo alguns motivos discutidos como a própria desmoralização do exército após retirada de tropas estrangeiras, falta de apoio aéreo e até mesmo a subestimação das forças do talibã.
As falhas tentativas ocidentais de democratizar a região do Afeganistão serão lembradas por sua população, bem como a esperança de dias em que não precisarão se preocupar com suas roupas, se seus pensamentos estarão em eixo com os interesses de terceiros, e o dia em que não terão de escolher entre liberdade e a morte.



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